O Brasil se prepara para possível novo aumento de tarifas americanas de 12,5% nesta ou na próxima semana, decorrente de investigação dos EUA sobre produtos fabricados com trabalho forçado. Após o impacto de 25% na semana anterior, a estratégia do governo é ampliando a lista de exceções para produtos brasileiros e retomando negociações diplomáticas.
A orientação dentro do Palácio do Planalto é manter tom moderado nas reações. Segundo assessores presidenciais, demonstrações de radicalismo serviriam aos interesses de Donald Trump e do senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência, que poderiam acusar Lula de intransigência e submissão aos interesses empresariais brasileiros.
O governo reconhece que a equipe americana colocou demandas comercialmente inviáveis na mesa — como redução de tarifas em setores químico, automotivo e etanol — sabendo de antemão serem impraticáveis. A Casa Civil calcula que, antes relutante em negociar, a administração Trump mantém essa posição agora. A Lei da Reciprocidade Econômica segue como alternativa, mas em segundo plano, dado seu processo demorado.
Internamente, técnicos do governo descartam acordo antes das eleições presidenciais brasileiras, interpretando os últimos movimentos norte-americanos como respaldo indireto à candidatura de Flávio Bolsonaro. A maioria dos brasileiros desapruva Trump e associa o novo aumento tarifário ao político do PL, o que funciona a favor da estratégia cautelosa.
Com informações de g1.globo.com.