📍 Brasília, DF

Madrugada na Rodoviária: rotina de mulheres rumo à Papuda

Às 5h30 da manhã na Rodoviária do Plano Piloto, uma fila silenciosa de mulheres vestidas de branco se forma na plataforma A. Com sacolas cheias, elas se preparam para embarcar no ônibus 0.111 em direção ao Complexo Penitenciário da Papuda. Mães, esposas, filhas e irmãs repetem esse deslocamento duas vezes por semana, em quartas e quintas, quando os turnos são ampliados por serem dias de visita autorizada.

A roupa branca é exigência obrigatória dentro das unidades prisionais, mas muitas preferem levá-la na bolsa e se trocar apenas ao chegar, tentando preservar ao máximo a vida cotidiana que deixam para trás. O constrangimento de sair de casa inteiramente de branco persegue essas mulheres pelas ruas de Brasília: elas relatam o julgamento social que enfrentam, incluindo olhares críticos durante o trajeto. O silêncio durante a viagem é praticamente absoluto. Mesmo antes do ônibus chegar, um ex-detento circula entre a fila vendendo alimentos permitidos nos presídios, e ao partir, sua bênção marca o trajeto: “Que Deus abençoe essa viagem.”

As visitas são limitadas a duas horas a cada duas semanas. Nas bolsas, levam apenas itens autorizados: biscoitos, castanhas, doces, roupas brancas, higiene pessoal e repelente. O trajeto para a Papuda dura 40 minutos em horários de menor movimento, mas pode se estender a uma hora e meia em picos de trânsito. A Papuda abriga aproximadamente 13,7 mil detentos, número que ultrapassa em mais do que o dobro sua capacidade de 5,8 mil presos. Na Penitenciária I, a superlotação é particularmente crítica: com espaço para 1.584 pessoas, a unidade mantém 3.748 detentos.


Com informações de jornaldebrasilia.com.br.

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