É comum ouvir críticas sobre a qualidade da música brasileira atual, com argumentos apaixonados de ambos os lados. Mas, na verdade, sentenciar que a música piorou ou melhorou esconde arrogâncias e visões centradas em experiências pessoais. A resposta para essa pergunta muda conforme a geração que a responde e pode causar incômodo em quem não compreende que tudo se transforma constantemente.
Quem cresceu ao som da MPB dos anos 1960 e 1970 – com compositores como Caetano Veloso, Chico Buarque, Gilberto Gil e Milton Nascimento – tende a considerá-la imbatível, especialmente acompanhada por vozes memoráveis como Clara Nunes, Elis Regina, Gal Costa e Maria Bethânia. Nunca houve tantos compositores e intérpretes de alto nível na mesma época. Contudo, quem cresceu ouvindo Anitta ou Marina Sena tem outro referencial, completamente válido, que não está na MPB.
A verdade incômoda é que não existe resposta correta. Gerações se emocionam nos shows de Liniker assim como se emocionaram em apresentações de Gal Costa ou Dalva de Oliveira em épocas anteriores. É possível admirar Maria Bethânia e Liniker simultaneamente, ou montar uma playlist que inclua Criolo, João Bosco e Tim Bernardes. Padrões e referências mudam com o tempo, e cada um elege suas próprias preferências como as melhores – e tudo isso merece respeito.
Com informações de g1.globo.com.