O Brasil chegou a 4,6 milhões de consumidores que geram sua própria energia por meio de painéis solares instalados em residências, comércios e propriedades rurais. Esse contingente representa cerca de 5% do total de consumidores e mudou significativamente a composição da matriz energética nacional, mas trouxe um problema inesperado: períodos de sobrecarga.
Quando há excesso de geração solar, o Operador Nacional do Sistema Elétrico precisa cortar usinas para manter o equilíbrio entre produção e consumo. Em agosto, foi acionado um mecanismo que determinou redução de cerca de 1 gigawatt entre 11h e 13h30. A mesma situação havia ocorrido em junho, marcando dois episódios em poucos meses. O desafio emerge porque energias renováveis são intermitentes e sua produção não coincide necessariamente com a demanda real.
Entidades do setor apontam que incentivos fiscais aceleraram a expansão da geração distribuída. O Marco Legal de 2022 garantiu isenção de custos de distribuição até 2045 para quem aderiu até janeiro de 2023. Contudo, especialistas alertam que esses subsídios, estimados em aproximadamente R$ 47,8 bilhões para 2026, transferem custos para consumidores sem condição de instalar painéis, criando tensão no debate sobre equidade tarifária.
Os cortes de geração tornaram-se cada vez mais frequentes, especialmente nos fins de semana e no período de maior irradiação solar. Isso levanta questões sobre a sustentabilidade do modelo atual e a necessidade de reformas na estrutura de incentivos e na forma como o sistema gerencia a energia excedente.
Com informações de g1.globo.com.