Quando você vota em um senador, escolhe automaticamente dois nomes que podem substituí-lo. Esses suplentes integram uma chapa fechada e muitas vezes são desconhecidos dos eleitores. Desde 2019, 42 pessoas nessa posição ocuparam o cargo de senador, sendo que dez estão em exercício no momento e seis assumiram definitivamente após falecimento ou renúncia do titular.
Especialistas criticam a alta rotatividade e a falta de transparência do sistema. O cientista político Carlos Ranulfo, da UFMG, vê a questão dos suplentes como uma das maiores falhas do sistema eleitoral brasileiro, já que pessoas desconhecidas da população tomam decisões que influenciam rumos do país. Rafael Silveira, consultor do Senado, aponta que a escolha dos suplentes frequentemente obedece critérios pessoais do titular, não passando por crivos partidários, resultando em parentes e aliados regionais nas chapas.
A Constituição exige que o titular se licencie por mais de 120 dias para que um suplente assuma. Isso ocorre quando senadores assumem ministérios, como aconteceu com cinco deles no governo Lula, ou quando decidem concorrer a outros cargos. Existe ainda a prática de afastamentos programados, onde o candidato principal deixa o cargo para permitir que o suplente exerça o mandato por um período determinado.
Diferentemente dos senadores, deputados federais não têm suplentes fixos. No caso de ausência, quem assume é o candidato do mesmo partido e estado que recebeu mais votos mas não foi eleito. Para as eleições de 2026, há relatos de familiares compondo chapas de suplência, prática permitida pela legislação atual, tanto em candidaturas de oposição quanto governistas.
Com informações de g1.globo.com.