A artista portuguesa Grada Kilomba apresenta uma instalação que confronta o público com as marcas do tráfico transatlântico de africanos. A obra, intitulada “O Barco”, estará em exibição a partir desta terça-feira no Sesc Pompeia, em São Paulo, e reflete sobre um dos maiores crimes contra a humanidade já cometidos, conforme reconhecido pela Organização das Nações Unidas.
A criação escultórica ocupa 220 metros quadrados e é composta por 134 blocos de madeira queimada dispostos ao longo de 32 metros. A estrutura desenha a silhueta do fundo de um navio, revelando como eram organizados os porões das embarcações que transportavam escravizados. Durante cerca de 400 anos, milhões de africanos foram sequestrados e vendidos como mercadorias para colônias europeias, processo que persistiu mesmo após a independência de algumas nações.
O Brasil recebeu a maior parte desses cativos: mais de 4,8 milhões de africanos escravizados atravessaram o Oceano Atlântico em navios negreiros. Kilomba questiona a glorificação dessa história nos monumentos europeus e latino-americanos, propondo uma reflexão sobre o que revela o fundo do oceano quando despido de água e romantismo histórico.
“Se esvaziássemos a água, o oceano e a terra revelariam trilhões de passagens de corpos humanos, não só no passado, mas no presente, em uma repetição da violência cíclica”, afirma a artista. A obra busca expor aquilo que permanece invisível nos relatos oficiais sobre a expansão europeia.
Com informações de agenciabrasil.ebc.com.br.