Na Ceilândia, nordestinos encontram mais que um lugar para morar: encontram a possibilidade de manter viva uma identidade. Segundo a última PDAD Ampliada de 2024, mais da metade dos migrantes do Distrito Federal vem da região Nordeste, totalizando cerca de 646 mil pessoas. A cidade consolidou-se como polo dessa herança, atraindo gerações que buscaram reconstruir suas vidas na capital federal.
A Feira Central de Ceilândia concentra essa presença de forma intensa. Dona Claudete Cirino, pernambucana de 52 anos que gerencia a banca Estação Nordeste, carrega consigo a história de pioneirismo familiar. Seu pai foi um dos que ajudou a construir Brasília, e ela mantém vivo o legado gastronômico, especializando-se em pratos como rabada e caldo de mocotó. Sua trajetória reflete a de muitos: migrantes que chegaram jovens e construíram raízes profundas na capital.
Para Christiane Machado Coêlho, professora de Sociologia da UnB, a força nordestina em Brasília diferencia-se de outras grandes cidades. Enquanto Rio de Janeiro e São Paulo carreguem preconceitos históricos contra nordestinos, a capital federal funciona como “uma casa de todos”, onde a cultura nordestina permeia múltiplas camadas da sociedade. Essa presença não se restringe a Ceilândia: está em todas as regiões administrativas, formando um substrato cultural compartilhado que moldou a própria identidade brasiliense.
Marilene Moura, cearense de 50 anos, resume a experiência de muitos ao dizer “me sinto em casa”. Chegou ao DF aos 10 anos com oito irmãos, em busca de melhores condições. Hoje, trabalha na mesma feira onde a cultura nordestina respira nas ruas, recordando que Brasília, aos 66 anos, permanece uma cidade moldada por migrantes.
Com informações de jornaldebrasilia.com.br.