Organismos de proteção animal levantaram questões sobre as condições de navios que transportam rebanhos brasileiros. A Mercy for Animals participou de audiência pública na Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara dos Deputados para debater o tema. O caso mais recente envolveu o navio Spiridon II, que permaneceu à deriva por meses antes de desembarcar quase três mil vacas na Líbia após a Turquia recusar o recebimento da embarcação por problemas sanitários e falhas na identificação dos animais.
Segundo a ONG, as embarcações criam ambiente hostil para o gado. O estresse causado pela superlotação, variações de temperatura e movimento constante afeta o sistema imunológico dos animais e favorece doenças infecciosas. A falta de higiene adequada e assistência veterinária potencializa os problemas. Além disso, a organização aponta riscos ambientais como naufrágios devido ao uso de navios antigos não projetados para esse transporte.
A poluição causada pelo transporte também preocupa. Fezes e urina caem de caminhões durante o trajeto até os portos, impactando a qualidade do ar em municípios como Santos e Belém, que deixaram de participar do circuito de exportação. Conforme dados do Comex Stat, o Brasil é o maior exportador mundial de animais vivos, com recorde de 952 mil bois embarcados em 2025.
Dois projetos de lei tramitam no Congresso com objetivo de desestimular a prática por meio de tributação. O Projeto de Lei Complementar 23/2024 busca vetar isenções de ICMS na exportação, enquanto o Projeto de Lei 786/2024 propõe incidência de imposto de exportação. O Ministério do Meio Ambiente tem se posicionado contra a exportação de animais vivos.
Com informações de agenciabrasil.ebc.com.br.