Uma proposta em tramitação na Câmara Legislativa do DF pode mudar a rotina de estudantes da rede pública de ensino — incluindo os de Ceilândia. O projeto proíbe as escolas de liberarem os alunos quando um professor falta. No lugar das aulas, a ideia é ocupar o tempo com atividades como filmes, palestras, dinâmicas em grupo, práticas esportivas ou ações culturais até o fim do turno.
A iniciativa é da deputada distrital Sandra Faraj (SD) e está na Câmara desde maio de 2015. Atualmente, o texto aguarda análise na Comissão de Constituição e Justiça. A proposta vale do ensino fundamental ao médio e tem duas exceções: greve de professores ou quando os responsáveis forem pessoalmente buscar o estudante na escola. A justificativa central é a segurança: crianças liberadas sem aviso acabam voltando para casa sozinhas, muitas vezes sem adultos por perto — e ainda perdem a merenda, recurso essencial para quem depende da alimentação escolar.
O Sindicato dos Professores (Sinpro-DF) reconhece que as escolas já tentam segurar os alunos em faltas pontuais, mas aponta um problema estrutural: quando a ausência se arrasta por dias — por licença ou aposentadoria — a rede não envia substitutos, o que torna impossível manter as turmas. A entidade cobra do governo um banco de professores reserva para cobrir essas lacunas. Já a Secretaria de Educação do DF preferiu não comentar o projeto.
Para quem vive o dia a dia em Ceilândia, a medida soa como proteção real. A região concentra escolas públicas com alta demanda e famílias em que os responsáveis saem cedo para o trabalho — exatamente o perfil que a proposta quer amparar. Se aprovada, a lei obriga as unidades de ensino a terem um plano B sempre que um professor não aparecer.
Com informações de g1.globo.com.