📍 Brasília, DF

Máfia das funerárias: vigilante do HRT estava no esquema

Uma operação conjunta da Corregedoria da Polícia Civil e do Ministério Público do DF prendeu 12 pessoas suspeitas de integrar a chamada ‘máfia das funerárias’ nesta quinta-feira (26). Entre os alvos está um vigilante do Hospital Regional de Taguatinga, o HRT, que avisava as funerárias do esquema toda vez que algum paciente morria na unidade — e recebia propina por cada corpo informado. Mandados de busca e apreensão também foram cumpridos em endereços de Taguatinga.

O golpe funcionava assim: integrantes do grupo monitoravam a frequência de rádio da Polícia Civil para chegar antes do rabecão do IML. Quando uma morte natural acontecia, eles abordavam os familiares se passando por servidores públicos de captação de órgãos e prometiam que atestar o óbito fora do IML seria mais rápido e menos desgastante. Um médico dono de clínica em Formosa, no Entorno, assinava o laudo sem sequer olhar para o cadáver. A cobrança pelo atestado variava entre R$ 1,5 mil e R$ 8 mil — serviço que, pelo IML, é gratuito.

A investigação, batizada de Operação Caronte — referência ao barqueiro dos mortos da mitologia grega —, começou em abril deste ano depois que servidores do IML estranharam situações suspeitas em campo. Em uma das ocorrências, o rabecão chegou a um endereço antes mesmo de a família ligar para cancelar o chamado, e os parentes já resistiam em entregar o corpo, convencidos de que o médico particular era um funcionário do instituto.

Essa é apenas a primeira fase da operação. Trinta famílias já foram identificadas como vítimas, mas a polícia acredita que o esquema seja ainda maior, já que muitos lesados ainda não perceberam o golpe. Os suspeitos vão responder por associação criminosa, estelionato, crime contra o consumidor e falsidade ideológica. O vigilante do HRT, por atuar em hospital público mesmo sendo terceirizado, responderá também por corrupção passiva.


Com informações de g1.globo.com.

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