📍 Brasília, DF

Sem emprego e sem família, trans de Brasília encontra prostituição como saída

Jessica Cavalcanti descobriu sua identidade aos 19 anos nos corredores de um hospital em Brasília, quando um enfermeiro reconheceu nela o que ela mesma ainda não conseguia nomear. A jovem, que morava na Asa Norte e cursava fisioterapia, começou a construir uma vida alinhada com quem realmente era — com amigos, renda e estabilidade. Mas a travessia teve um custo alto.

Em 2022, aos 21 anos, a empresa terceirizada onde trabalhava encerrou as atividades e Jessica ficou sem emprego. Com a rejeição da família e um ano inteiro de tentativas frustradas de recolocação no mercado de trabalho, as economias foram se esgotando. A venda do carro e a saída forçada da Asa Norte para Samambaia marcaram o início de um período de extrema vulnerabilidade financeira.

Foi nesse contexto que Renato Almeida, cliente de uma sauna onde ela fazia freelas, surgiu como solução. Os dois dividiram o mesmo teto em poucos meses. Sem que Jessica percebesse, ele criou um perfil em site de acompanhantes com fotos dela e passou a gerenciar os contatos. ‘Eu nunca tinha pensado nisso. Não imaginava que alguém pagaria para ficar comigo’, disse ela. O que parecia uma saída virou armadilha: Renato tinha ficha policial com registros de homicídio e tráfico de drogas, e o relacionamento foi se transformando em cárcere psicológico.

A história de Jessica traduz uma realidade comum entre pessoas trans no Brasil — e em Brasília não é diferente. A exclusão do mercado formal de trabalho empurra muitas delas para a prostituição não por escolha, mas por sobrevivência. ‘Eu não sonhava em trabalhar na rua. Eu sonhava em sobreviver’, resumiu a jovem de 26 anos.


Com informações de jornaldebrasilia.com.br.

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