A Polícia Federal identificou a servidora da Câmara dos Deputados Mariângela Fialek, conhecida como Tuca, como figura central em um arranjo para operacionalizar emendas parlamentares em nome do ex-deputado Valdemar Costa Neto, presidente do PL. Segundo relatório enviado ao Supremo Tribunal Federal, ela atuava como personagem principal de um esquema informal que permitia ao ex-deputado, sem mandato ativo, indicar recursos públicos.
Os dados extraídos do celular de Tuca comprovaram um fluxo centralizado de emendas sob orientações atribuídas a Valdemar. Mensagens e planilhas apreendidas revelavam recursos identificados como “do Valdemar” ou “do VCN”. Em uma conversa de agosto de 2025, interlocutores ligados ao ex-deputado solicitaram que ela alocasse o máximo possível para a área de Turismo, resultando em cerca de R$ 24 milhões destinados à pasta.
O esquema funcionava através de alterações em listas encaminhadas aos ministérios, incluindo nomes de deputados federais em exercício como solicitantes das emendas, ocultando a participação de Valdemar. A investigação também envolveu a servidora Nara Brum, que comunicava dificuldades técnicas e afirmava que Valdemar não aceitaria mudanças nos recursos. A operação resultou no bloqueio de R$ 119,2 milhões atribuídos ao ex-deputado.
Mariângela trabalhou no gabinete de Arthur Lira entre 2021 e meados de 2025, quando migrou para a liderança do Progressistas na Câmara. A defesa da servidora não se manifestou sobre as acusações da Polícia Federal.
Com informações de g1.globo.com.