A Corregedoria da Polícia Civil e o Ministério Público do Distrito Federal deflagraram operação na manhã de quinta-feira para capturar 12 suspeitos de integrar a chamada “máfia das funerárias”. O grupo cobrava entre R$ 1,5 mil e R$ 8 mil para fornecer atestados de óbito, fingindo ser servidores do Instituto Médico Legal.
Entre os investigados estão empresários, um médico proprietário de clínica em Formosa e um vigilante do Hospital Regional de Taguatinga. Segundo a polícia, os criminosos copiavam a frequência do rádio da Polícia Civil para chegar nas residências antes do “rabecão” (carro de recolhimento de corpos). Atuavam como agentes de captação de órgãos, oferecendo atestado de óbito mais rápido e “menos doloroso” diretamente da funerária. Após analisar o poder aquisitivo das famílias, convenciam-nas a cancelar o recolhimento gratuito pelo IML.
O vigilante do HRT era informante da rede criminal. Ao tomar conhecimento de óbitos na unidade de saúde, repassava as informações para as funerárias e recebia percentual em propina. A operação, denominada Caronte em referência ao mitólogo grego, iniciou em abril após servidores do IML desconfiarem do esquema quando um rabecão chegou em endereço antes da família solicitar cancelamento.
Até o momento, 30 famílias foram identificadas como vítimas do golpe. A polícia estima que outras ainda não reconheceram o crime e possam formalizar denúncias. Os suspeitos responderão por associação criminosa, estelionato, crime contra o consumidor e falsidade ideológica. O vigilante também enfrentará acusação de corrupção passiva.
Com informações de g1.globo.com.