Christopher Nolan traz para as telas sua versão de “A Odisseia”, o poema clássico que ganhou adaptação cinematográfica após árdua jornada criativa. O longa britânico desembarca nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (16) com quase três horas de duração, mesclando reverência à obra original com humanização dos personagens mitológicos. A produção transita entre o respeito dogmático pelo texto de Homero e uma sensibilidade que imprime contemporaneidade a uma história escrita há quase 3 mil anos.
O filme se destaca por sua excelência técnica: a fotografia de Hoyte van Hoytema e a edição de som estremecedora criam sequências de tensão rara no cinema. Momentos como o aprisionamento na caverna do ciclope ganham tratamento que rivaliza com filmes de terror. Porém, Nolan cede a impulsos hollywoodianos ao escalar Matt Damon, Tom Holland e Anne Hathaway – atores cujas presenças conhecidas afastam o filme da realidade épica proposta, apesar do esforço em filmar em locações reais. Robert Pattinson surge como exceção notável, entregando uma interpretação deliciosa em papel de vilão covarde.
Alguns diálogos teatrais e excessos na direção de arte – com armaduras que parecem saídas de episódios de ficção científica – prejudicam a imersão. Ainda assim, o diretor compensa tais deslizes com seu talento inigualável para criar ambientações tensas e sufocantes. A narrativa acompanha a saga do retorno do protagonista para casa, explorando como a engenhosidade grega enfrenta a fúria divina e seres mitológicos.
Nolan traduz a universalidade do poema original através da diversidade de seu elenco, com atores de diferentes nacionalidades e etnias. A obra merece ser apreciada em sua melhor projeção disponível, consolidando-se como realização técnica praticamente perfeita, ainda que comprometida pelas escolhas de casting.
Com informações de g1.globo.com.