📍 Brasília, DF

Cultura de omissão causou queda de avião Voepass

O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos concluiu que a queda do turboélice ATR da Voepass em agosto de 2024, que deixou 62 mortos em Vinhedo (SP), resultou de falhas sistêmicas na manutenção e de uma cultura organizacional que normalizava desvios de segurança. Alertas de gelo foram ignorados durante o voo, e o sistema de degelo apresentou falha que não foi reportada adequadamente.

A investigação revelou que tripulações diferentes detectavam problemas técnicos em voos anteriores com a mesma aeronave, mas não registravam essas falhas no bordo. Mecânicos da empresa admitiam praticar a transferência de componentes com defeito de um avião para outro, liberando-os para voo sem solucionar os problemas. Pilotos desligavam alertas do sistema ao perceberem falhas, mas continuavam voando normalmente em vez de adotar procedimentos de segurança obrigatórios.

Durante o voo fatal, o sistema alertou oito vezes sobre queda de velocidade causada pelo acúmulo de gelo. Quando o mecanismo de degelo falhou, foi desligado pelos pilotos, contrariando o protocolo que exigia tentar reiniciar o sistema ou descer para altitudes mais baixas. Além disso, a aeronave apresentava problema nos limpadores de para-brisa que a impossibilitava de voar com chuva, condição não observada antes da decolagem.

O Cenipa analisou 15 mil voos da companhia e identificou que 1.674 apresentaram alertas de degradação de performance. Um desses voos registrou perda de controle, informação que nunca chegou aos investigadores. Segundo o Brigadeiro Avellar, chefe do Cenipa, dos 19 fatores contribuintes para o acidente, a cultura organizacional foi o elemento mais determinante na tragédia.


Com informações de agenciabrasil.ebc.com.br.

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