Nascido em Flores, no agreste de Pernambuco, em 1926, Moacir Santos começou sua jornada musical nas bandas filarmônicas locais do semiárido nordestino. A vivência no sertão forneceu as primeiras bases para o que se tornaria uma trajetória marcada pela inovação e pela busca por novos sons.
Aportando no Rio de Janeiro em 1948, durante o apogeu da era do rádio, Santos trabalhou como saxofonista e arranjador da Rádio Nacional ao longo dos anos 1950. Foi neste período que burilou seu som característico, miscigenado e único. O álbum “Coisas”, lançado em 1965, consolidou seu lugar como uma figura fundamental na música brasileira, reconhecido especialmente entre instrumentistas e mestres da arte.
A formação de Santos bebeu de múltiplas fontes: estudou com expoentes da música erudita brasileira e, ao mesmo tempo, ensinou a musicos de destaque. Seu trabalho sintetizava matrizes rítmicas africanas, baião, maracatu e samba, temperados com a liberdade do jazz e o rigor técnico da música clássica. Poeta como Vinicius de Moraes reconheceu seu talento, saudando-o em verso por sua capacidade de transitar entre gêneros e linguagens musicais.
Falecido em 2006 na Califórnia, Santos é homenageado este mês com tributos que incluem o primeiro Festival Ouro Negro do Pajeú, realizado em sua cidade natal. Embora pouco conhecido do grande público brasileiro, seu legado permanece como patrimônio fundamental da música nacional.
Com informações de g1.globo.com.