O desequilíbrio na distribuição de recursos para o cinema brasileiro ganhou destaque durante a cerimônia do Prêmio Grande Otelo. Kleber Mendonça Filho, ao receber o troféu de Melhor Longa-metragem de Ficção, criticou a concentração de poder na Academia Brasileira de Cinema, pedindo maior diálogo com realizadores de fora do Sudeste. Sua fala evidenciou um problema estrutural que vai além dos prêmios e atinge o financiamento público do setor.
Os números do Fundo Setorial do Audiovisual comprovam a disparidade. Em 2025, a região Sudeste concentrou 66,29% dos R$ 374 milhões investidos. Rio de Janeiro e São Paulo, sozinhos, levaram 57,25% do montante — mais da metade de toda a verba anual. Em contraste, Norte, Nordeste e Centro-Oeste juntos receberam apenas 22,63%, menos de um terço do que foi destinado ao Sudeste isoladamente.
O Fundo Setorial é mantido principalmente pela Condecine, contribuição arrecadada de empresas de telecomunicações e audiovisual. Apesar de ser dinheiro público com regras para reduzir desigualdades regionais, a concentração persiste. Três fatores explicam o padrão: linhas de financiamento favorecem empresas com histórico de resultados, grandes produtoras estão sediadas no Sudeste; estados como Rio de Janeiro possuem agências estruturadas para firmar parcerias robustas; e o número maior de empresas aptas a cumprir requisitos de contratação se concentra na região.
Com informações de g1.globo.com.