📍 Brasília, DF

Sarampo em SP expõe importância da vigilância vacinal

A concentração de casos de sarampo em São Paulo revela o risco iminente de novos surtos enquanto a cobertura vacinal ficar abaixo de 95%, patamar essencial para interromper a transmissão. Segundo o infectologista Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações, a entrada contínua de casos na capital paulista é esperada, já que a cidade recebe diariamente pessoas de diferentes regiões do mundo.

O ciclo de propagação da doença dura aproximadamente 20 dias: dez de incubação até o surgimento dos primeiros sintomas, dois dias de transmissão antes da febre e mais 12 após o início do quadro febril. O vírus viaja por gotículas de saliva expelidas na fala ou espirro. Pessoas completamente imunizadas não transmitem a doença, mas aquelas com esquema incompleto representam risco real ligado à dinâmica de propagação. Na capital paulista, a cobertura vacinal está em torno de 75%.

Para Kfouri, combater o sarampo exige dois pilares: vacinação e vigilância contínua, com isolamento e vacinação de contatos. A homogeneidade dos índices vacinais é crucial, pois bairros ou comunidades com baixa cobertura se tornam bolsões vulneráveis propensos a novos surtos. A aplicação de doses de reforço indiscriminadas é eficaz por atingir quem não completou o ciclo ou casos raros em que a imunização não funcionou adequadamente, estimados em 5% dos vacinados, reduzindo para próximo de zero com uma terceira dose.

Na Grande São Paulo, 23 dos 24 casos confirmados na temporada concentram-se nesta região. Houve casos importados e importante cadeia de transmissão comunitária, principalmente na zona norte, com sete ocorrências na Vila Medeiros e dois na Vila Maria, tendo uma escola de educação infantil como cenário principal.


Com informações de agenciabrasil.ebc.com.br.

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