O Brasil emitiu pedido público de desculpas pelo desaparecimento de Paulo de Tarso Celestino da Silva, ex-estudante de Direito da Universidade de Brasília que desapareceu aos 27 anos durante a repressão da ditadura militar. O ato simbólico ocorreu em cerimônia na UnB com presença de familiares, colegas da vítima, representantes da comunidade acadêmica e membros de comissões voltadas aos direitos humanos.
Natural de Morrinhos (GO), Paulo de Tarso tinha pai que foi deputado federal cassado pelo AI-5. Formado em Direito em 1969 e militante da Ação Libertadora Nacional (ALN), cursou pós-graduação na Universidade de Sorbonne, na França. Desapareceu em julho de 1971 após ser capturado junto com Heleny Ferreira Telles Guariba no Rio de Janeiro por agentes do DOI-CODI do I Exército.
Relatos de sobreviventes descrevem que o ex-estudante foi levado à chamada Casa da Morte, centro clandestino mantido pelo Centro de Inteligência do Exército em Petrópolis, onde sofreu torturas intensas durante 48 horas. Investigações apontam que corpos de presos políticos executados naquele local eram esquartejados para dificultar identificação posterior dos restos mortais.
O Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania informou que o ato visa reparação tanto à vítima e sua família quanto à população brasileira. Paulo de Tarso foi reconhecido como morto pela Lei 9.140, de 1995, que reconhece óbitos de pessoas detidas por agentes públicos durante a ditadura.
Com informações de agenciabrasil.ebc.com.br.