O Ministério Público Federal entrou com ação na Justiça Federal para denunciar graves violações de direitos enfrentadas pelo povo Maxakali, que habita o Vale do Mucuri em municípios do Nordeste mineiro. A população sofre com altos índices de mortalidade infantil, desnutrição e ausência de serviços básicos de saúde.
Um estudo da Universidade Federal de São Paulo revelou que a taxa de mortalidade entre crianças Maxakali de 1 a 4 anos é 30 vezes superior à de crianças não indígenas da mesma região. Apenas 2,4% da população ultrapassa os 60 anos. Segundo a pesquisa, as mortes por desnutrição e infecções tratáveis refletem um cenário semelhante ao Brasil de cerca de 40 anos atrás.
O MPF apontou múltiplas causas para a situação. A barreira linguística dificulta compreensão de diagnósticos e tratamentos. Há falhas em sistemas de para-raios que provocaram mortes durante chuvas. Unidades da Funai funcionam com apenas um servidor para atender milhares de indígenas.
A ação pede reforma de postos de saúde, fornecimento de água potável, instalação de proteção contra raios e capacitação de profissionais respeitando a cultura local. O MPF também solicita condenação ao pagamento de indenização por danos morais coletivos entre R$ 4 milhões e R$ 10 milhões, com recursos destinados ao povo para decidir sua aplicação.
Com informações de g1.globo.com.