Alexandre Saraiva, ex-superintendente da Polícia Federal no Amazonas, avaliou como inédita a nota divulgada por 27 superintendentes regionais em defesa do diretor-geral Andrei Rodrigues. Para o policial aposentado, o documento revela mais do que um simples alinhamento institucional: sinaliza uma transformação profunda na cultura da corporação.
O ex-chefe atuou 23 anos na PF e vivenciou situações delicadas. Quando comandava a regional amazonense, apresentou notícia-crime contra o então ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles durante investigação sobre a maior apreensão de madeira do país, sendo posteriormente substituído. Também depôs em inquérito que investigava possível interferência presidencial na corporação.
Saraiva critica o uso de manifestações de apoio como credenciais para ascensão profissional. Segundo ele, a autonomia da PF não foi formalmente revogada, mas se tornou inviável na prática através de multiplicação de controles administrativos. O documento emerge em contexto de forte tensão entre a instituição e o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal.
O ex-superintendente alerta que a independência institucional precisa sobreviver quando incomoda, não apenas constar em documentos oficiais. Afirma ainda que a corporação trocou prioridade na precisão por valorização de números e indicadores, alterando como operações são apresentadas à sociedade.
Com informações de g1.globo.com.