Madrugada de terça-feira em Águas Lindas de Goiás. Pedro Pereira, natural do Piauí, acordou cedo para não perder a oportunidade de votar. O porteiro de um prédio em Brasília, que trabalha há mais de duas décadas, enfrentaria 50 quilômetros de ônibus para cumprir o compromisso eleitoral, mas não deixaria passar a chance. Chegou à escola Domingos Simões quando faltava mais de duas horas para a abertura das urnas, ansioso por estar entre os primeiros.
A trajetória de Pereira carrega marcas do improviso e da necessidade. Abandonou os estudos no quarto ano para trabalhar na roça ao lado da família em Campo Maior, distante 90 quilômetros de Teresina. Mais tarde, vendeu uma cabra para comprar passagem rumo ao Centro-Oeste, onde tentaria vida nova como auxiliar de pedreiro e depois porteiro. Ele reconhece que pouco recorda do que aprendeu na escola, mas a experiência educacional o marcou profundamente. Tanto que dedicou esforço para garantir que os seis filhos tivessem acesso à educação que ele não pôde completar.
A escola onde votou carrega história semelhante à de Pereira. No começo dos anos 1990, o espaço era um curral de vacas de uma fazenda. Uma psicopedagoga conseguiu reunir 60 crianças naquele local improvisado para dar a elas o primeiro contato com a educação formal. Décadas depois, a mesma instituição funciona como local de votação, agora recebendo cidadãos que, como Pereira, encontram na escola um símbolo de transformação possível.
Com informações de agenciabrasil.ebc.com.br.