Uma pesquisa da Ipsos-Ipec divulgada nesta sexta-feira (26) aponta que mais da metade dos brasileiros considera a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas pelos Estados Unidos uma forma de interferência em questões internas do país. Ao todo, 54% dos entrevistados concordaram total ou parcialmente com essa visão, contra 35% que discordaram.
O levantamento foi feito entre os dias 13 e 17 de junho com 2 mil pessoas em 130 municípios, com margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%. Entre os temas avaliados, a principal preocupação dos entrevistados foi com os moradores de comunidades dominadas pelas facções: 56% acreditam que a classificação internacional coloca essas pessoas em risco. Já o Pix não aparece como ameaça para a maioria — 52% descartam que o sistema de pagamentos será afetado pela decisão americana.
As opiniões ficaram mais equilibradas em outros pontos. Sobre segurança pública, 48% acham que a medida pode melhorar o setor, enquanto 41% discordam. Quanto ao impacto econômico, 47% acreditam que a classificação vai prejudicar a economia brasileira e 41% não concordam. A questão mais polarizada foi a da cooperação policial entre Brasil e EUA: 43% acham que pode ser prejudicada e outros 43% discordaram dessa possibilidade.
A diretora da Ipsos-Ipec, Márcia Cavallari, destacou que os dados mostram um brasileiro atento às consequências práticas da decisão norte-americana, com preocupação real com populações vulneráveis e ceticismo em relação à narrativa de ameaça ao Pix. A classificação do PCC e do CV como organizações terroristas entrou em vigor em 5 de junho, após anúncio feito pelo governo dos Estados Unidos em 28 de maio. Com a medida, pessoas e empresas que apoiarem os grupos podem ser punidas pelos americanos.
Com informações de g1.globo.com.