📍 Brasília, DF

E se Brasília fosse outra? Os projetos que perderam para Lúcio Costa

Quem mora no Estrutural ou no SCIA conhece bem a lógica do Plano Piloto: eixos, superquadras e aquela sensação de que tudo foi planejado longe da gente. Mas sabia que Brasília quase foi completamente diferente? Há 60 anos, Lúcio Costa venceu um concurso disputado por outros 61 inscritos, e as ideias que ficaram pelo caminho eram bem mais ousadas do que qualquer coisa que existe por aqui hoje.

O arquiteto e professor Jeferson Tavares passou sete anos vasculhando mais de 80 arquivos para reunir esses projetos no livro Projetos para Brasília 1927-1957, publicado pelo Iphan. Entre as propostas que não saíram do papel, uma previa uma cidade subterrânea com horários programados para circulação de comida, correspondências e materiais pesados por túneis — tudo isso numa época em que metrô ainda era raridade no Brasil. Outra, dos irmãos Marcelo e Maurício Roberto, que ficaram em terceiro e quarto lugar, apostava em esteiras rolantes e monotrilho para substituir o carro no dia a dia, com transporte público gratuito financiado pelos impostos.

O projeto que ficou em segundo lugar deixaria a capital bem mais fechada: um centro administrativo isolado no núcleo e as cidades-satélites espalhadas de forma linear ao redor, concentrando população e atividades. Já o arquiteto Rino Levi, empatado na terceira posição, imaginou megaprédios de 300 metros de altura — cerca de 100 andares — funcionando como cidades verticais independentes, cada superbloco abrigando 16 mil habitantes.

No fim, o que venceu foi a proposta de Lúcio Costa, e o resto virou história de papel. Para quem vive nas bordas dessa cidade planejada, fica a curiosidade: será que alguma dessas Brasílias alternativas teria chegado mais perto da periferia do que o projeto que foi escolhido?


Com informações de g1.globo.com.

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