A Seleção Brasileira enfrenta a Noruega neste domingo nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026, nos EUA. O jogo ocorre a apenas três meses do primeiro turno das eleições presidenciais brasileiras, levantando discussões sobre possível influência do resultado esportivo na votação.
Renata Coelho, especialista em comportamento eleitoral, explica que um título mundial pode fortalecer sutilmente a imagem do presidente em exercício através de uma “transferência emocional”. Segundo ela, o eleitor não vota racionalmente por causa de uma vitória, mas experimenta um sentimento de satisfação geral com o cenário nacional, incluindo o governo. No entanto, esse efeito tem duração limitada e se dissolve quando a realidade cotidiana retorna.
Gustavo Javier Castro, filósofo e mestre em ciência política, concorda que grandes vitórias geram euforia coletiva e reforçam a identidade nacional, podendo gerar ganhos simbólicos para o governo. Mas ele ressalva que o contexto econômico, social e institucional é a principal influência. Um título ofereceria apenas benefício momentâneo em visibilidade, dificilmente alterando estruturalmente cenários eleitorais.
Coelho cita a Copa de 1994 como exemplo mais claro de alinhamento de fatores: o tetracampeonato coincidiu com o lançamento do Plano Real e expectativas de recuperação econômica. Mesmo assim, reforça que é impossível separar os efeitos do futebol da economia, e que o título potencializa condições já existentes.
Com informações de g1.globo.com.