📍 Brasília, DF

EUA aplicam pressão tarifária ao Brasil sem negociação

O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos fecha nesta quarta-feira (15) o prazo para decidir sobre a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre importações de produtos brasileiros. Até o momento, não há sinais de que um acordo será fechado entre os dois países.

O impasse envolve pontos sensíveis para ambos os lados. Brasil se recusa a negociar mudanças no Pix, enquanto os EUA rejeitam reduzir a sobretaxa que impõem ao açúcar brasileiro em troca de ajustes na tarifa do etanol que entra no país. O USTR usa a Seção 301 da legislação americana para alegar práticas desleais do Brasil relacionadas ao sistema de pagamentos, etanol, desmatamento ilegal e outros pontos.

Especialistas apontam que a medida vai além de questões econômicas. Paulo Borba Casella, professor de direito internacional da USP, afirma que os EUA não escondem a motivação política da tarifa e que Trump já chamou o Brasil de país “desagradável”, usando o tarifaço como forma de interferência na política interna. A pressão faz parte da nova doutrina do governo Trump para a América Latina, buscando reafirmar a proeminência americana no continente diante da ascensão econômica chinesa.

Alexandre Pires, professor de relações internacionais do Ibmec-SP, destaca que Washington busca realinhar o Hemisfério Ocidental aos EUA e afastá-lo da influência chinesa, e o Brasil seria alvo dessa política por ter fortalecido laços comerciais com a China nos últimos 20 anos.


Com informações de agenciabrasil.ebc.com.br.

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