Em agosto de 1966, os Beatles lançavam Revolver, um disco que reorganizava as prioridades da banda. O sétimo álbum de estúdio reunia rock, elementos da música clássica, referências indianas e experimentações eletrônicas — uma mudança radical em relação aos trabalhos anteriores. O que diferenciava o projeto não era apenas a sonoridade, mas a forma como John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr pensavam a criação e a gravação de suas canções.
Em Brasília, esse legado segue vivo nas aulas do professor Iran Cerqueira. Com mais de três décadas ensinando música e proprietário da Estação da Música, na Asa Norte, Iran mantém os Beatles entre os repertórios mais procurados por seus alunos — crianças, adolescentes, adultos e idosos. Para ele, Revolver exemplifica uma lição fundamental: a abertura para novas possibilidades. George Harrison, por exemplo, começou a explorar timbres diversos com guitarras, amplificadores e efeitos que solidificaram a sonoridade do grupo. A banda também transformou o estúdio em instrumento: vozes ganhavam tratamentos especiais, guitarras eram invertidas e instrumentos fora da formação tradicional ocupavam as faixas.
Essa distância entre o que os Beatles conseguiam gravar e o que poderiam executar ao vivo marcou o álbum. César Kiles, integrante do grupo Hey Jude — tributo aos Beatles — conhece essa realidade na prática. Ao interpretar Paul McCartney, ele traduz as criações de estúdio em apresentações ao vivo. Para Kiles, Revolver marca o momento em que a banda explorou o estúdio com intensidade inédita e amadureceu como músicos de gravação. O engenheiro Geoff Emerick, que assumiu o projeto aos 20 anos, foi essencial para essa transformação, trazendo disposição para experimentar que acompanhava a busca dos Beatles por novos sons.
Com informações de jornaldebrasilia.com.br.