Evangélicos e cristãos estão no centro do jogo eleitoral para 2026, mas a maioria deles não quer que igrejas virem palanques. Segundo pesquisa do Instituto de Estudos da Religião realizada em parceria com a Quaest, 83% dos entrevistados rejeitam indicações de voto por pastores e padres. O número sobe para 90% quando o assunto é campanhas eleitorais dentro de templos, e 82% também não querem política durante cultos e missas.
Pastores evangélicos confirmam essa desconexão entre o que líderes religiosos fazem publicamente e o que a base de fiéis aceita. Um pregador batista de Nova Iguaçu relata que o impacto da politização dos templos desde 2018 deixou cicatrizes nas comunidades. Ele conhece colegas que abraçaram campanhas no passado e hoje preferem nem tocar no assunto, porque perderam membros significativos em suas congregações.
A pesquisadora Lívia Reis aponta que a influência religiosa sobre o voto não desapareceu, mas mudou de forma. Em vez de transferência direta de votos, ocorre agora através da formação de valores e identidades. Porém, essa mediação não acontece mais principalmente dentro dos templos, e sim nas redes sociais, na mídia e no Parlamento, onde lideranças de denominações específicas mantêm protagonismo político.
A divisão causada por campanhas eleitorais nas igrejas moldou a percepção dos fiéis sobre o que é legítimo discutir em espaços religiosos. Passado o trauma das eleições, comunidades inteiras absorveram a lição de que política pertence à esfera do cidadão, não da fé institucionalizada.
Com informações de agenciabrasil.ebc.com.br.