Economistas apontam que cortes substantivos nos gastos públicos brasileiros, na casa de R$ 200 bilhões conforme discutido em campanhas eleitorais, necessariamente comprometerão áreas sociais. Segundo o professor Pedro Paulo Zahluth Bastos, do Instituto de Economia da Unicamp, cerca de 90% do gasto primário federal é obrigatório, incluindo Previdência, BPC, pessoal, pisos de saúde e educação, além do Bolsa Família. As despesas discricionárias, que podem ser usadas livremente, totalizam pouco mais de R$ 200 bilhões e englobam investimentos, custeio de universidades, hospitais federais e Polícia Federal.
O economista é categórico: um corte de R$ 200 bilhões que preserve benefícios sociais eliminaria completamente as demais despesas discricionárias. A professora Maria Lourdes Mollo, da Universidade de Brasília, reforça que reduções substanciais no orçamento inevitavelmente prejudicam a área social. Ela observa que os gastos públicos têm efeito multiplicador na renda e emprego, e que, com as altas taxas de juros no país, cortes tendem a gerar retração econômica geral, reduzindo também a arrecadação e comprometendo recursos destinados a educação e saúde.
Candidatos apresentam posições distintas sobre o tema. Flávio Bolsonaro, após defender um ajuste inspirado nas medidas do governo argentino de Javier Milei, sustenta que não pretende reduzir programas sociais se eleito. Na equipe de Lula, o discurso propõe ajuste fiscal gradual ao longo de um eventual quarto mandato. O ministro do planejamento Bruno Moretti projeta transição de déficit de 0,5% do PIB em 2024 para superávit de 1,5% em 2030, focando em desacelerar despesas obrigatórias mantendo direitos sociais.
Com informações de agenciabrasil.ebc.com.br.