A Corregedoria da Polícia Civil e o Ministério Público do Distrito Federal cumpriram mandados de prisão contra 12 pessoas suspeitas de integrar uma rede criminosa focada em fraudes envolvendo atestados de óbito. A operação, batizada de Caronte, também executou 12 mandados de busca e apreensão em Vicente Pires, Lagos Sul e Norte e Taguatinga. Entre os alvos estão empresários ligados a funerárias, um médico dono de clínica em Formosa e um vigilante do Hospital Regional de Taguatinga.
O esquema funcionava com os criminosos copiando frequências de rádio da Polícia Civil para chegar antes dos agentes do Instituto Médico Legal. Ao tomar conhecimento de um óbito por morte natural, se apresentavam às famílias como servidores públicos de captação de órgãos, oferecendo atestação de óbito supostamente mais ágil e discreto. As funerárias depois confirmavam a proposta, levantavam o poder aquisitivo das vítimas e conseguiam cobrar entre R$ 1,5 mil e R$ 8 mil pelo serviço que seria gratuito.
O vigilante do hospital taguatinguense entrava na trama ao informar mortes ocorridas na unidade para os integrantes da rede, recebendo percentuais como propina em troca. A investigação começou em abril depois que servidores do IML desconfiaram das ações dos suspeitos. Até agora, 30 famílias foram identificadas como vítimas, mas a polícia estima que o número possa ser maior.
Os acusados responderão por associação criminosa, estelionato, crime contra o consumidor e falsidade ideológica. O vigilante também enfrenta acusação de corrupção passiva cometida por agente público, apesar de ser terceirizado, por atuar em instituição pública.
Com informações de g1.globo.com.