Com 88 minutos de duração, o documentário ‘Nem tudo é paz e amor’, dirigido por Betão Aguiar — também compositor e baixista da banda de Arnaldo Antunes —, está em cartaz na 18ª edição do festival In-Edit Brasil, em São Paulo. O filme parte de uma ideia original de Jasmin Pinho, falecida em 2020, e é estruturado a partir de entrevistas inéditas com filhos de grandes nomes da música brasileira dos anos 1960 e 1970, como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Rita Lee, Baby do Brasil, Itamar Assumpção e Moraes Moreira.
O ponto de partida é o universo pessoal do próprio diretor, filho do músico Paulinho Boca de Cantor e da produtora Marília Aguiar. A narrativa vai ganhando força ao alinhar depoimentos de Anelis Assumpção, Beto Lee, Ciça Moraes, Moreno Veloso, Nara Gil e Sarah Sheeva, entre outros. O que emerge é uma mistura de orgulho pelos pais e confissões sobre o desconforto de crescer em ambientes sem rotina rígida, geralmente festivos e sem limites claros.
O filme não poupa detalhes curiosos. Beto Lee, filho de Rita Lee e Roberto de Carvalho, resume que nada era tabu à mesa de jantar. Já Moreno Veloso conta que seus pais achavam estranho ele ser heterossexual — uma fala que o documentário registra com tom lúdico. O caso de Sarah Sheeva chama atenção: batizada de Riroca pelos pais Baby do Brasil e Pepeu Gomes, ela relata que o nome incomum gerou bullying e transtornos psicológicos que a levaram à terapia, trocando o nome oficialmente na adolescência.
Apesar dos percalços narrados, o saldo apontado pelo documentário é positivo. Com sessões ainda previstas para os dias 25 e 28 de junho no In-Edit Brasil antes de entrar em circuito comercial no segundo semestre, ‘Nem tudo é paz e amor’ conclui que a harmonia entre pais e filhos tendeu a prevalecer quando estes chegaram à vida adulta e puderam refletir sobre o que foi ganho e perdido numa criação fora dos padrões convencionais.
Com informações de g1.globo.com.