Dias antes de comunicar um afastamento da carreira, Ariana Grande lançou ‘Petal’, álbum que navega pela sua conexão com a fama, dor e amor — tanto romântico quanto do público. A metáfora do título vem do verso ‘pétala na calçada’: algo frágil e delicado se desgastando em um ambiente hostil, refletindo sobre como ela tem se sentido diante do escrutínio constante.
Musicalmente, o disco continua a transição que começou em trabalhos anteriores. ‘Petal’ caminha para um som mais etéreo e eletrônico, com influência de Imogen Heap, deixando de lado o pop com R&B e trap que a consagrou. As vocalizações são contidas, sem o belting característico, com foco maior na produção — assinada por Ariana e o produtor sueco Ilya. Ela experimenta novas texturas sonoras, como o garage em ‘Oh Well’ e sintetizadores distorcidos.
Liricamente, a cantora questiona o preço da fama, indagando-se sobre o que deixou de viver por ser celebridade. Apesar de momentos bem desenvolvidos e de uma artista visualmente reflexiva, o álbum soa nebuloso e melancólico, com vocais que parecem encolhidos na mixagem. Enquanto há resquícios da persona ousada anterior, o resultado geral é pouco marcante, como se a própria Ariana preferisse se manter protegida.
Com informações de g1.globo.com.