📍 Brasília, DF

TCU aponta falhas na automação do INSS e pede atualização tecnológica

O Tribunal de Contas da União (TCU) recomendou que o INSS atualize as tecnologias empregadas na concessão automática de benefícios e adote melhorias no processo. A conclusão consta de uma auditoria obtida pela GloboNews. O mecanismo, que analisa pedidos de aposentadoria, pensão e auxílio por sistemas automatizados — sem passar por um servidor —, existe desde 2017 e cresceu de forma expressiva: em janeiro de 2024, apenas 15,7% dos benefícios seguiam essa via; no mesmo mês de 2025, mais da metade já era processada pela automação.

Apesar da expansão, o TCU aponta que o volume crescente de concessões automáticas ainda não foi suficiente para diminuir a fila do INSS nem o tempo de espera dos segurados. O relatório identifica entre os entraves uma equipe reduzida responsável pela automação e limitações na atuação da Dataprev, empresa de tecnologia que opera os sistemas do instituto. Grande parte dos serviços roda em plataformas desenvolvidas no início dos anos 1990, o que dificulta a integração com ferramentas mais modernas. O INSS respondeu, em nota, que vem implementando as recomendações do TCU, registrou avanços nos últimos meses e mantém reuniões semanais com a Dataprev.

Outro ponto levantado pela auditoria envolve possíveis indeferimentos indevidos. O INSS afirma que negativas automáticas inadequadas não ocorrem e que, quando uma análise complementar é necessária, o pedido é encaminhado a um servidor. Já a presidente da Comissão de Direito Previdenciário da OAB-SP, a advogada Joseane Zanardi, sustenta que benefícios que deveriam ser concedidos acabam sendo negados. Segundo ela, parte do problema está no Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS), base de dados com o histórico trabalhista dos segurados: se as informações ali registradas estão incorretas, a leitura feita pelo sistema do INSS também fica comprometida.

Zanardi aponta que a correção de dados no CNIS hoje depende do contato pelo telefone 135, canal que segurados relatam ser de difícil acesso, com demoras e problemas de qualidade nas ligações. A advogada defende que o serviço de correção esteja disponível também pela plataforma Meu INSS. Ela afirma ainda que a OAB-SP já enviou ofícios e realizou reuniões com o INSS pedindo investimentos na integração e correção do cadastro, mas que, até o momento, essas demandas não foram atendidas.


Com informações de g1.globo.com.

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