Espalhadas pelo país, bandas de rock têm buscado uma proposta diferente: criar música inspirada pela fé cristã sem se enquadrarem no rótulo de gospel. Essa articulação ocorre principalmente através do selo independente Se Vira Music, que reúne 12 grupos de estados como Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Rio Grande do Norte, conectando aproximadamente 100 músicos e produtores culturais.
Os integrantes desse movimento rejeitam associações com estereótipos ligados ao mercado gospel tradicional, uma linguagem que chamam de evangeliquês. Sérgio Verine, teólogo e fundador da marca fonográfica, explica que buscam distância do alinhamento político conservador e da abordagem voltada para evangelização que marca parte desse segmento. Para eles, a diferença está em tocar em espaços como bares, botecos e casas de shows, rejeitando a divisão entre locais sagrados e seculares.
A AHPE, banda de hardcore de Caxias do Sul, e Judeu Marginal, trio de metal de Verine, exemplificam essa postura. Formadas há anos dentro do meio evangélico, ambas mantêm agendas em igrejas, casas de rock e cervejarias simultaneamente. Segundo os músicos, enfrentam resistência dos dois lados: são consideradas rebeldes demais pelas igrejas e muito ligadas à religião pelas casas de rock.
Nas letras, abordam temáticas como espiritualidade e fé, mas com linguagem distante da teologia da prosperidade e das referências bíblicas diretas do gospel mainstream. A intenção, segundo os artistas, é colocar sua fé na música sem objetivo de convencer ou evangelizar ninguém.
Com informações de g1.globo.com.