A Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) anunciou a suspensão das transmissões ao vivo no Discord no Brasil. A medida foi divulgada nesta quarta-feira e permanecerá ativa enquanto a empresa não comprovar a adoção de mecanismos robustos para proteger menores de idade. A decisão foi motivada pelo caso de uma adolescente de 13 anos que teria sido induzida por outros usuários a tirar a própria vida durante uma live na plataforma.
O episódio trouxe à tona problemas que já vinham sendo alertados. Em 2023, reportagem do Fantástico revelou como servidores do Discord funcionavam como espaços para expor menores a conteúdos violentos e desafios extremos, incluindo incentivo à automutilação, crueldade animal e outras práticas transmitidas em tempo real. As transmissões ocorriam sem registro permanente na plataforma, dificultando fiscalização e coleta de provas.
Ativistas monitoram a plataforma e reportam comunidades inteiras dedicadas a encorajar adolescentes a cometer atos violentos diante de câmeras. O anonimato oferecido pelo aplicativo permite que agressores se sintam protegidos, intensificando o nível de crueldade. A Safernet Brasil, que recebe denúncias de violações na internet, apontou escalada tanto no número quanto na intensidade de casos envolvendo conteúdo extremista e sadismo online.
Especialistas apontam que a entrada massiva de smartphones na adolescência alterou significativamente o comportamento dos jovens. A falta de orientação sobre o uso desses dispositivos amplia riscos de envolvimento com conteúdos prejudiciais. A primeira-dama Janja foi uma das autoridades que se mobilizou diante do caso recente, intensificando o debate sobre responsabilidade das plataformas digitais.
Com informações de g1.globo.com.