Uma auditoria realizada pelo governo interino fluminense identificou indícios de irregularidades financeiras na execução do Programa Empoderadas, iniciativa estadual voltada ao enfrentamento da violência contra mulheres. O relatório, com 45 páginas, aponta movimentação indevida de R$ 4,5 milhões em recursos durante 2025.
Conforme o documento, 49 servidores da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) e da Secretaria de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos receberam remuneração adicional enquanto já eram remunerados pelo Estado para desempenhar suas funções. Os pagamentos duplicados somaram R$ 2,9 milhões em valores brutos. Além disso, R$ 1,5 milhão de recursos do programa foram direcionados para cobrir despesas de seis estruturas administrativas da universidade sem ligação com os objetivos do Empoderadas.
A auditoria revelou falhas graves de controle interno, com ausência de informações básicas sobre contratações e atividades desenvolvidas. Os relatórios trimestrais não acompanham as metas formalmente aprovadas, e há inconsistências entre dados oficiais, como a divergência entre 63 polos informados no terceiro trimestre e 58 polos ativos no site. Um caso específico envolveu a contagem de alcance de redes sociais: o desempenho digital foi mensurado somando dados do perfil institucional Empoderadas (50 mil seguidores) com o perfil pessoal da superintendente Érica Paes (138 mil seguidores), caracterizando irregularidade dupla.
O Programa Empoderadas oferece treinamento em técnicas de enfrentamento à violência, acesso a rede de acolhimento multidisciplinar com suporte social, jurídico e psicológico, além de cursos profissionalizantes para fortalecer a autonomia financeira das participantes. A redação procurou a Secretaria estadual e a superintendente do programa para comentários.
Com informações de g1.globo.com.